Venho de uma família de imigrantes, por um lado suíço, por outro libanês. Meu lado libanês tem mais informações por serem os imigrantes meus avós paternos; já no de origem suíça, a informação está muito longe e se perdeu pelo caminho. Mas o fato me faz pensar que paixão, desespero ou esperança fez com que largassem tudo para trás para se aventurarem em um país estrangeiro, diferente em idioma e cultura e com a certeza de que, talvez nunca retornassem ao país de origem, onde estavam plantadas suas raízes. Faz-se isso muito hoje em dia, porém os tempos são outros, a comunicação é mais fácil e a facilidade de transporte também. Quando meus avós paternos vieram para cá, foi de navio e quanto tempo não devem ter levado até chegar ao destino esperado?
Meu avô veio primeiro, deixando a esposa para vir depois. Não sei se chegou ao porto do Rio de Janeiro ou se em Santos, o fato é que, com coragem, embrenhou-se pelos caminhos da vida e chegou a uma pequena cidade do interior do Estado do Rio, para onde mandou que viesse sua esposa, chegando também sem nada conhecer ou saber dessa cultura tão diferente. Aqui plantaram seus pés e reconstruíram suas vidas com a chegada dos filhos que cresceram e ficaram para sempre, sem ao menos aprender a língua de seus pais. Meu avô faleceu deixando minha avó com um comércio para gerir e filhos pequenos para criar. O comércio acabou, os filhos cresceram e apesar de não ter tido o grande prazer de conhecer a figura generosa, cativante e afetuosa que era a minha avó, fico imaginando os medos, as saudades ou até quem sabe, arrependimento de ter abandonado tudo, sabendo que sua família tinha uma situação financeira razoável no Líbano, para levar uma vida que não foi muito fácil em um país estranho. O que se passava no coração desta mulher que corajosamente continuou sua jornada e, ao que tudo indica, nunca demonstrou o medo ou a tristeza que porventura pudesse sentir? E como ensinou tão bem a seus filhos o que era o amor pela família e por todo ser humano... Sim, porque todos os seus filhos, sem exceção, foram figuras humanas, afetuosas e afetivas, justas e principalmente felizes, com um amor sem tamanho pelas famílias que constituíram e amigos que elegeram.
Um comentário:
Nossa, Dadá... Que coisa linda!!! Fiquei até emocionada... Adorei!!!! O interessante é pensar que se essas pessoas não tivessem largado tudo, passado o que nós nem temos idéia que passaram, nós não estariamos aqui... Não tem nem como agradecer... Um beijo!!!!
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