sexta-feira, 17 de julho de 2009

TABULEIRO DE AREIA


Vejo a vida de um modo muito particular. Ela é vista de modo concreto, sempre gerando uma imagem para visualizá-la. É assim como um tabuleiro de areia onde existem bonequinhos de papel (como aqueles que as meninas vestem e despem com suas roupas de papel) encaixados. Eles são tirados de um lado para outro, trocados de lugar e é assim com as pessoas quando se mudam, quando se locomovem, quando vão e vem do trabalho ou do passeio. É assim também quando morremos. Os bonequinhos são retirados e os espaços ficam vazios, mas sempre lembrando que ali havia uma figura, mesmo que aquele espaço seja preenchido. Existem espaços que não são nunca preenchidos novamente, ou por falta de oportunidade ou por falta de bonecos que se encaixem ali. Existem bonecos grandes e pequenos, mais coloridos ou menos coloridos, mais firmes ou menos firmes. Quem os tira ou muda de lugar não sei, mas vejo uma mão como se fosse a mão de uma criança brincando de bonecos. Tira ou põe como achar melhor, como ficar mais bonito ou como para aplacar um capricho. A areia é aquela como as das construções: areia lavada (acho que é assim que se chama) e um pouco grossa. Não é fatalismo achar que não temos escolha, é só uma representação visual, lúdica ou quem sabe infantil, porém é assim que visualizo sempre que alguém se muda, quando estou indo trabalhar ou quando alguém morre. A imagem fica mais nítida quando os olhos se fecham. Aí, sim, torna-se quase palpável. Entretanto é só uma brincadeira de quem sempre visualiza fatos e notícias de modo particular. Talvez seja mais fácil assim aceitarmos e entendermos tantas coisas que ocorrem no nosso dia-a-dia, talvez assim seja mais fácil ser feliz.

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