quarta-feira, 26 de setembro de 2012

SEBASTIÃO FEREIRA DINIZ OU SOMENTE TATÃO

                                                             TATÃO





SEBASTIÃO FEREIRA DINIZ OU SOMENTE TATÃO
   Lembrei-me do Tatão. Do nada me veio a lembrança de fatos ocorridos que ficaram na minha memória. Numa velocidade atroz, como flashes de trailer de filmes, vieram tantas lembranças!
   Tatão era Sebastião Ferreira Diniz, irmão do meu avô materno e que tinha uma deficiência física provavelmente originária de um parto difícil, uma paralisia cerebral que, o decorrer dos anos, foi decisivo para seu agravamento. Naquela época, não existiam os recursos de agora, então Tatão foi passando da bengala, para o carrinho de 3 rodas, para a cadeira de rodas e daí para a cama. Com o cognitivo preservado, era de uma grande inteligência, crítico e um grande chantagista. Gostava de brincar de adivinhações com as crianças, mas tinha preferência por uma especificamente, que fazia sempre: “ O que é o que é? Uma caixinha de bom parecer, mas não há carpinteiro que a possa fazer?” A resposta era amendoim (na casca obviamente). E  ria , ria muito das coisas “mal feitas”, daquelas que davam errado.  Era esperto para saber aproveitar dos que o achavam bobo. Em época de eleição fingia que vendia seu voto e então ganhava sapatos de um, terno de outro e assim ia vivendo. Nunca deixou de ter uma atividade. Em épocas em que não havia facilidade para benefícios sociais, trabalhava no seu carrinho: vendia café, engraxava sapatos...
   Convivi minha infância toda com ele. Primeiro no carrinho, na cadeira de rodas (da qual tinha um ciúme enorme), e depois, quando foi para a cama. Era então mais complicado para mim, mas nunca tive medo, raiva, vergonha ou qualquer sentimento adverso. À noite ele gritava muito, ou melhor, chamava muito para que alguém o  virasse  na cama, rogando a morte, mas com uma vontade de viver imensa. Quando sentia alguma coisa, quando pensava que ia morrer, punha a “boca no mundo” e pedia para não morrer e que se chamasse o médico.
   Existem alguns fatos folclóricos em relação a ele que vou tentar reproduzir:
   Em determinada ocasião, em que ainda se locomovia com alguma independência, disse que ia se matar. Pegou uma bala de revólver e disse que ia engolir e que aí ia dar cabo à vida. Meu avô, seu irmão, já o conhecendo bem, disse que ele fosse em frente. Pegou então a bala e disse para ele engolir e saiu. Dias depois, quando a sua camisa foi para ser lavada, achou-se a bala dentro do bolso.
 Um de seus inúmeros prazeres era colocar apelidos nas pessoas: meu tio Enéas era Geleia Mocotó de Égua, minha mãe era Fré, tio Luiz era Zé Velho e Brucutu, tia Therezinha , a Perereca, o tio Betão era Alemão, e à Dindinha ele chamava Costa D´ África. Gostava muito de usar expressões engraçadas. Quando uma pessoa sumia, ficava algum tempo sem aparecer, lá vinha ele com a teoria de que a pessoa já tinha morrido e era um tal de :
“-Ah! Fulano abotoou o paletó, ou Fulano atravessou o córrego, ou ainda Fulano botou pijama de madeira.”
   Sendo ele uma pessoa de um medo desmedido de almas de outro mundo, era vítima de brincadeiras e de sua própria imaginação. Em uma época em que moravam numa casa que tinha um quintal grande, com muitas árvores , num dia de muito calor, foi tomar a “fresca” na beira do rio que passava nos fundos do terreno. Já estava anoitecendo e o Tatão nada de aparecer. Meu avô Ibrahim foi a sua procura e como viu que ele já se encaminhava para casa, esperou por ele debaixo de uma árvore com a mão apoiada nela. Veio caminhando com a cabeça baixa e quando chegou perto de onde estava meu avô levantou a cabeça e deparou com aquela pessoa parada. Não sei o que poderia estar pensando, não sei o medo que trazia, mas o fato foi que quando o viu, só falou: ”-Bicho, diabo!” e saiu correndo com toda a sua dificuldade e só parou quando chegou dentro de casa. Provavelmente o medo era tanto que ele deve ter visto ali uma coisa imensa e que não deixou reconhecer seu próprio irmão.
       Pronto: foi o suficiente para divertir meu avô e virar mais um motivo de gozação!
  Apesar desse medo todo, gostava de assustar algumas pessoas. Certa vez, estava lá no seu quarto, quando entrou uma dessas crianças curiosas. Deve ter falado alguma coisa ou mesmo feito alguma careta. O fato é que a menina levou tanto susto que só conseguiu soltar aquele grito aterrorizado depois que já estava na calçada de casa!
 Nós nos divertimos muito quando começamos contar as suas histórias, mas até hoje ele consegue assustar uma pessoa ou outra com elas. O sogro de minha sobrinha, o Paulinho, depois de umas dessas conversas, não sei por que, ficou com tanto medo do Tatão que nem dormiu à noite, achando que a claridade dos faróis dos carros que passavam à noite eram almas do outro mundo!
      Depois de já acamado, quando chamava para virá-lo na cama, o eleito era o meu pai, que levantava à noite, sem reclamar e o atendia. Em uma determinada noite, depois de chamá-lo e de ser atendido, meu pai voltou para a cama e é chamado outra vez:
    “-Nagib, Nagib!
     -O que é, Tatão? Acabei de te virar!
     -É só para te dizer que seu pijama é muito bonito!”
      Esse era o Tatão! O meu tio Tatão!
                                             Paulinho com medo do Tatão

quarta-feira, 18 de julho de 2012

ERA UMA VEZ ...



Era um vez um ônibus. Uns homens armados e uma pessoa altamente protegida...
                                                                                                                                   
O ônibus era o Cidade do Aço  Rio X Volta Redonda, os homens eram cinco assaltantes armados e a pessoa era eu mesma! Inacreditável o que aconteceu aquela noite!

                                              colt-45-1.gif (84375 bytes) 

Quando morava em Petrópolis, ia muito a na casa do meu irmão que reside em Volta Redonda. Como trabalhava o dia todo, para aproveitar o fim de semana , pegava o ônibus à noite para o Rio de janeiro e de lá o que ia para Volta Redonda. Isso era recorrente. E especialmente  naquele fim de semana, mês de Julho, eu estava indo para o aniversário do meu irmão.
Porém numa noite dessas o ônibus foi assaltado por 5 homens armados e aí começou uma aventura difícil de acreditar.
Os assaltantes entraram no ônibus na rodoviária como passageiros e em algum lugar na Avenida Brasil efetuaram o assalto. Vou tentar relatar, mas não sei se conseguirei  ser fiel aos fatos.
Eu estava sentada na poltrona 4(na frente, do lado da porta, no corredor) e havia um rapaz do meu lado, na poltrona 3(janela). Um dos assaltantes rendeu o motorista com uma arma, e os outros 4 também armados foram pegando tudo de todos. Na limpa foram pegando dinheiro, relógios, casacos, etc... . O que rendeu o motorista mandou que o rapaz que estava do meu lado saísse e fosse lá para traz, e com o revolver na altura da minha barriga mandou que eu chegasse para o canto e não olhasse para o seu rosto. Assim fiz ou tentei fazer, pois não consegui não olhar para a pessoa que estava na minha frente.  Olhar para onde ? Para cima? Para o lado? Mas as cortinas, por ordem deles, estavam fechadas. Só me restava olhar para frente e na frente estava aquela arma. Não sei porque, mas não tive medo e nem fiquei nervosa.
O homem então mandou que eu lhe entregasse meu dinheiro. Empurrei algumas notas maiores para o fundo da carteira e lhe dei o restante. Ele olhou aquela quantia e disse:
-Hum! Está pior do que eu!!
Guardou o dinheiro e o assalto continuou com os assaltantes “barbarizando” os passageiros. Não sei por que razão  pensaram que o rapaz que estava do meu lado era policial (o que não era correto), o colocaram deitado no corredor do ônibus e a impressão que tínhamos era que em qualquer momento eles atirariam no rapaz.
Bem, assalto realizado, eles decidiram descer em um local em Nova Iguaçu onde havia um carro esperando. Aí é que começou a acontecer  uma coisa “sui genere”.
O assaltante da frente me perguntou;
-Tem para o ônibus?
Eu disse:
_ Não. Dei todo o dinheiro!
Ele então tirou quase todo o dinheiro que eu tinha dado e me deu de volta.
-Toma aqui!
O outro assaltante veio de traz querendo puxar minha bolsa e eu a segurei  e disse que já tinha dado o dinheiro.
E o assaltante da frente;
-Vamos! Ela já me deu o dinheiro!
Tentaram puxar minha bagagem que estava no bagageiro, mas como tinha um pezinho na minha bolsa ela agarrou e não a levaram. Tentaram puxar a bolsa do rapaz que estava do meu lado, mas a alça agarrou no meu pé, então na pressa largaram-na para traz.
Enfim, não me levaram nada. Nem joias, já que eu estava com cordão e pulseira de ouro, relógio, casaco e principalmente o presente de aniversário do meu irmão.
Depois que desceram, o rapaz que estava do meu lado veio desesperado a procura da sua bagagem e eu calmamente falei que eles não tinham levado pois havia agarrado no meu pé.
Ele disse então que eu tinha salvado o dia dele, pois ali dentro estava o seu salário e o presente de 15 anos da sua filha . Perguntou então se estava tudo bem e se eles tinham feito alguma coisa e eu respondi que estava tudo bem e que  o assaltante tinha me devolvido a maior parte do dinheiro.
Fui alertada então,  que eu tinha corrido um grande risco, pois se eles tivessem que ter levado algum refém eu seria a pessoa, porque estava na frente. Aí sim, percebi o risco que eu tinha corrido. Mas ainda assim não fiquei nervosa, apenas um pouco assustada e tremendamente surpresa com que tinha acontecido. Todas as pessoas ficaram sem o seus pertences, inclusive casacos e eu com tudo.
Mas o assalto serviu pelo menos para uma coisa! Toda vez que eu chegava a Volta Redonda, telefonava para o meu irmão ir me pegar na rodoviária e ficava lá esperando, mas desta vez quando telefonei e falei que tinha sido assaltada, a ligação caiu e nunca ele chegou tão rápido para me pegar!


Não sei bem porque fui poupada deste jeito, mas acredito que talvez eu estivesse  muito mais protegida do que todas aquelas pessoas, ou então somente o assaltante foi com a minha cara não é????

                                              

PULE UMA CASA (E CONTINUE A JOGAR...)




PULE UMA CASA (E CONTINUE A JOGAR...)

A vida da gente em alguns momentos assemelha-se a um jogo de tabuleiro, onde tem que se pensar em pular uma casa e continuar a jogar. O peão tem que avançar casa a casa porque ao final do tabuleiro espera-se um vencedor. Com o decorrer dos anos, passa a ser assim no trabalho, nas convivências, nos relacionamentos formais e informais. “Pule uma casa e continue a jogar, está na sua vez...”. E na casa que foi pulada o que ficou afinal? Ressentimentos, mágoas, momentos alegres ou simplesmente fatos que são pulados e esquecidos? Não sei a resposta, mas sei que pautam o resto do jogo, são os determinantes que vão fazer com que se ande mais rápido ou mais devagar, ou que farão com que se pulem mais casas ou não. Um passo a mais ou a menos em um tabuleiro de jogo faz toda a diferença e determinará com que peão será dividida a mesma casa do jogo, qual apenas passará por você e qual trará influência na jogada.
    Pulei muitas casas na minha vida. Nelas ficaram fatos que não foram esquecidos, mas que fizeram a diferença para a próxima jogada. Ficaram palavras que se fossem ditas no jogo teriam uma penalidade e perderia a jogada, ficaram atitudes que tiveram que ser mudadas, pensamentos que não deveriam ser expostos, sentimentos que deveriam ser camuflados, relacionamentos que cresceram e outros que se perderam. Pulei casas na minha família, no meu trabalho, nas minhas amizades. Foi necessário para continuar o jogo e tentar vencer a partida ou pelo menos chegar ao final dela.
    Fazemos isso durante toda a trajetória de nossas vidas: “pule uma casa e continue a jogar” e quem não segue as regras do jogo, quem não pula a casa ou quem não continua a jogar está fora da partida, perde a vez ou volta para a primeira casa começando novamente. Mas não dá para começar novamente como se casas não tivessem sido andadas porque a cada minuto somos pessoas diferentes, hoje sou diferente do que eu era há 24 horas e serei diferente amanhã. Há quem desista do jogo (não quer começar outra vez), há os que começam novamente com muita má vontade, há os que recomeçam como se fosse a primeira vez esquecendo-se que estão na situação de recomeço porque não seguiram as regras e assim vamos seguindo: pulando casas e continuando a jogar..., pulando casas e continuando a jogar..., pulando casas e continuando a jogar...




segunda-feira, 9 de julho de 2012

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA





 SOVACO FROUXO
  Meu avô morava na roça e tinha ainda os filhos novos. Minha mãe e sua irmã Therezinha resolveram fazer um bolo. Mas a pessoa que sabia onde estavam os ingredientes não estava em casa. Naquela época, na roça não se usava fermento para o bolo crescer e sim bicarbonato. Encontraram um vidro com um pó branco e colocaram no bolo. Depois de pronto não tiveram coragem de comê-lo porque ficaram em dúvida que pó branco era aquele. E se fosse veneno? Apareceu então a vítima. Uma mulher cujo apelido era Sovaco Frouxo, porque a tudo se referia assim ( “Dancei até ficar de sovaco frouxo”... etc) . Perguntaram-na se queria um pedaço de bolo e ela aceitou imediatamente. Deram o pedaço e ficaram vigiando se a criatura ia cair e se ia cair antes ou depois da porteira. Bem, a mulher não caiu e foi embora feliz com o pedaço de bolo. Quando Maria José chegou perguntaram o que havia naquele vidro e ela respondeu que era sal de glauber. Ficaram aliviadas porque a única coisa que Sovaco Frouxo poderia ter tido foi uma bela diarréia. 


                                                Minha mãe (Edna)

                                             Minha mãe e a irmã Therezinha



                                                       Didinha (Maria José)


Tia Therezinha


BICHO  CH...
   Minha bisavó materna, vovó Sinhá, contava uma história de arrepiar e jurava que era verdade e que o fato aconteceu em sua presença. Estudava ela na cidade de Santa Maria Madalena e volta e meia um bicho invisível piava na casa da professora com a qual tinha aula. Um dia, o tal bicho foi piar na casa de uma mulher cuja filha estava muito doente. A mulher desesperada perguntou quem era, se era uma alma penada e porque piava tanto. Então a coisa que piava contou que ele tinha difamado a filha de um homem chamado Pedro Ch... e que este o tinha amaldiçoado e só poderia parar de piar quando fosse perdoado. A mulher foi procurar o tal fazendeiro, que por sinal era padrinho de uma tia avó. Andou muito à procura do Pedro Ch... e quando o encontrou, pediu que ele perdoasse à tal pessoa que estava piando na sua casa e que estava prejudicando sua filha doente. Depois de muito relutar, o fazendeiro concordou e falou que ele fosse piar então nas profundezas do inferno. Contam que o bicho deu um piado altíssimo e muito agudo e nunca mais piou em lugar nenhum.



                                                     
                                          VOVÓ SINHÁ (minha bisavó materna)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

MEMÓRIAS DE UM CALDEIRÃOZINHO

MEMÓRIAS DE UM CALDEIRÃOZINHO

   Não me lembro como saí daquela fábrica de panelas, não me lembro tão pouco como fui parar naquela casa.  A única coisa que me lembro (e bem) é de como ganhei um dono.  Ele, o meu dono, me adorava. Sem falsa modéstia posso dizer que me idolatrava! Afinal o que seria de suas fantasias sem a minha existência? Como ele poderia querer parecer aquele Dedé que ficava por lá e que dividia de certa forma sua atenção comigo, se eu não estivesse por lá? Dorcélio ou Dedé como o meu dono o chamava, trabalhava no sítio e almoçava no terreiro da casa. Meu pequeno dono era chamado de Elias Jorge e tinha uns três anos quando cheguei a suas mãos. A sua pouca idade não invalida a minha importância e só a aumenta. Não estou sendo arrogante ou metido, pois só eu sei como fui importante para ele. Vou contar um pouco de nossa intimidade. Meu dono pedia para que o seu almoço fosse servido em mim. Mas não era de qualquer maneira! Tinha um método especial! Afinal tinha que ser igual ao tal do Dedé!
   O ritual era o seguinte: a mãe de meu pequeno dono me arrumava de forma muito carinhosa, mas tinha que ser o feijão por baixo e depois o resto do almoço. Então ele sentava na escadinha da casa que saia para o terreiro, colocava uma toalhinha na mão e me segurava com cuidado. O chapéu tinha que ficar no joelho, como o daquele Dedé...
   Acho que meu dono pensava que era muito legal ser um campeiro, cuidar de plantações, usar a enxada, mexer com os animais e tenho quase a certeza (não sei bem, pois ele não me confessou isso) que não queria mais nada da vida. Só ser igual ao Dedé.
   Sem querer parecer importante, posso afirmar que os sonhos do meu pequeno dono, só aconteceram porque eu estava ali para que ele pudesse me colocar na palma de sua mão e pensar que era o Dedé. Como era bom me sentir importante, parte de uma fantasia inocente! E foi assim durante um bom tempo. Depois meu dono cresceu e eu não me dei conta que tinha ficado esquecido. Fiquei triste, mas não magoado.             Fiquei guardado, não sei bem onde e nem sei por quanto tempo. De tempo em tempo alguém me pegava e me usava para uma coisa ou outra. Mas por onde andava o meu pequeno dono? Neste período perdi um pedaço e até a minha tampa desapareceu...
Mas o amor de um caldeirãozinho por seu dono nunca acaba e eu tinha esperança de que um dia ele, o meu pequeno dono, iria aparecer.
Meus sonhos não foram em vão. Meu pequeno dono apareceu! Pegou-me e com ele fui para a casa que agora é sua. Longe, muito longe do sítio de suas fantasias, mas perto de suas lembranças. E agora minha gente, embora faltando um pedaço e um pouco escurecido pelo tempo, estou aposentado! Meu dono não é mais o meu pequeno. É adulto, mas não me esqueceu e me reservou na minha aposentadoria um lugar de honra e estou lindo! Agora não tenho mais comida no meu interior. Tenho vida! A vida representada por uma planta linda e verde que enfeita sua linda casa e me dá a sensação que continuo muito importante para o meu dono. Obrigado meu pequeno, por não esquecer que fiz parte se suas fantasias e ajudei a construir um homem que cultiva sentimentos e saudades!




                                     Dorcélio e  o dono do caldeirãozinho






sábado, 22 de outubro de 2011

SIMPLESMENTE LIZ

SIMPLESMENTE LIZ


     Já nasceu tão bonitinha! Com traços delicados que permaneceram na adolescência e continuam na vida adulta. Mas isso não importa muito. O que vale é o que é agora. A mulher que se tornou. Nunca um nome combinou tanto com uma pessoa. Forte, porém ao mesmo tempo suave e simples. Assim é a sua dona. Simples! Fácil de ser gostada, de fácil convivência! Brava às vezes, mas sem deixar que se percam o carinho e amor que as pessoas sentem por ela. Quando criança não tinha preconceitos. Brincava com todos sem distinção! Adulta, tornou- se espirituosa, divertida e novamente simples! Vendo como trata os pacientes que vão ao seu consultório ou a encontram fora dele vejo mais uma vez aquela criança que não se importava com classe social ou com aparências, mas vejo também uma mulher extremamente doce e ao mesmo tempo competente. Uma mulher linda, mas sem vaidades fúteis. Vejo minha sobrinha pequenina, brincando (e como brincou...) com tanta criatividade, com tanto empenho como se estivesse fazendo uma coisa muito importante (e era!) e vejo minha sobrinha adulta, realizada, feliz, com tanto prazer pela vida como se estivesse novamente brincando.  Brincando de viver, desligada das tarefas rotineiras, esquecendo de datas de vencimento, trocando ditados aos citá-los e até mesmo errando o destinatário de transferências bancárias, sem “esquentar a cabeça” com certas coisas, o que a torna leve, sem “encucações”, brincando de ser filha, neta, sobrinha, esposa, nora, amiga e de ser simplesmente ela. Brinque sempre, minha sobrinha. Brinque! Para continuar profissional competente, pessoa agradável, mulher doce, porém firme. Brinque! Para ver e sentir a vida com leveza. Brinque! Para ser feliz, muito feliz, e para ver as pessoas com os olhos que vê hoje. Brinque! Para ser crítica e divertida. Para ser séria e responsável. Para ser simplesmente você! Simplesmente Liz! 

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

domingo, 6 de fevereiro de 2011

CAUSOS


           Essas foram algumas histórias que nós ouvíamos de meu avô Ibrahim, pai de minha mãe e as quais meu irmão reproduziu.

                                    Tião G., fazendeiro conhecido na região de Itaperuna, muito amigo de meu avô Ibrahim, tinha sempre algum causo ocorrido com a sua pessoa que impressionava aos ouvintes, os quais quase sempre julgavam ser mentira do narrador.
Na verdade, não sabemos até hoje se os causos eram  mesmo do Tião ou uma forma de o Vovô contar as mentiras sem que fosse o responsável por elas.
Segue algumas estórias ocorridas com o citado:                                    

      Tião deixou sua fazenda, foi até a cidade resolver alguns problemas e fazer compras de mantimentos, que porventura, não eram produzidos em sua fazenda.
        Após retornar com estes mantimentos colocados em um “picuá”, na garupa de seu cavalo, foi conferir as mercadorias ao chegar em casa e deu pela falta de um pão. Pensou até em voltar para recuperá-lo, porém como estava começando a chover, desistiu da empreitada.
No dia seguinte ao levantar para tirar o leite, caminhando até ao seu curral, que ficava ao lado da estrada, encontrou com vários vizinhos que iriam à cidade, retornando para casa. Ao questioná-los porque não seguiram viagem, os mesmos informaram que tinha caído uma enorme árvore na estrada, interditando-a.
Tião, após terminar de tirar o leite, selou seu cavalo e foi até o local informado do ocorrido, e lá chegando, percebeu:
        A estrada estava interditada, não por uma enorme árvore, como tinha sido informado, mas pelo pão que havia caído do seu “picuá” e com a chuva que durou toda a noite, inchou, impossibilitando a passagem.



---------------------------------------



 Tião G. precisava fazer uma viagem para adquirir algumas cabeças de gado, então tomou a decisão de que sairia no dia seguinte bem cedo, antes de o dia raiar.
No dia seguinte acordou cedo, tomou café, pegou sue melhor arreio, para impressionar os outros fazendeiros, colocou seu canivete na cinta e foi até o pasto para encilhar a sua melhor mula e partir.
Após feito como planejado, pegou estrada, porém notou que a mula insistia em entrar pela mata que margeava a estrada. Tião aguentou o máximo que pôde controlando a mula na estrada, então soltou a rédea e deixo que fosse para onde bem entendesse.
Como a mula entrou pela mata Tião pegou seu canivete, que deveria ter uns 15 cm de comprimento de lâmina e começou cortar as árvores para que as mesmas não o ferissem, árvores estas de até uns trinta cm de diâmetro.
Quando o dia clareou, Tião percebeu que ao arriar sua mula tinha se enganado, havia arriado uma anta, então usando o seu bom canivete, cortou a barrigueira e saltou, levando consigo o arreio e voltou a pé para casa.
                                     


                                           ==================================                                  

Tião G. precisou ir até a cidade comprar remédio para sua esposa, arriou seu melhor cavalo, pois precisava fazer a viagem o mais rápido possível e partiu a galope.
Chegando a cidade, conversou rapidamente com o farmacêutico, explicando o que a esposa sentia, pegou o remédio e tomou o caminho de volta para casa sempre à galope.
Quando faltavam uns 5 km para chegar à sua fazenda, Tião percebeu que seu cavalo falseou, neste momento ele apertou a pressão da espora e prosseguiu, ao chegar no quintal de sua casa, parou a montaria e apeou. Neste momento o cavalo caiu e Tião percebeu que estava morto.
Vangloriando-se do falecido companheiro, contava a todos que o cavalo havia morrido a 5 km da sua casa,  mas como estava muito embalado, só foi cair quando chegou.




---------------------------------------

Tião G. saiu cedo de casa para caçar um gambá para o almoço de sábado, era um de seus pratos favoritos, um guisado de gambá, e sábado, porque domingo como sempre, tinha frango ensopado com batata.
Adentrou à matinha que tinha perto de seu sítio em companhia do Seu Nome, seu cão de caça, vira lata, mas muito bom, que logo começou a farejar o bicho.
Uma meia hora depois, o gambá foi descoberto, e após uma rápida perseguição, subiu em uma árvore e lá ficou longe do alcance do cachorro do Tião.
Tião, chegando ao local, viu o gambá, preparou sua espingarda, mirou e atirou. Daquela distância, ele não errava nunca.
Esperou baixar a fumaça e aguardou a queda do pobre animal, mas nada aconteceu. Estumou o cachorro para saber para onde o bicho tinha fugido, porém este, mesmo sendo bom farejador, não achou nenhum rastro.
Tião, desiludido, voltou para casa e lá chegando, deu a má noticia para Dona Maria, sua esposa e sugeriu que naquele sábado ela tirasse o lombo de porco que estava na gordura para o almoço e foi guardar sua velha espingarda na despensa, onde ele a pendurava em um prego fixado na parede.
Quando pendurou a espingarda, como sempre com a boca do cano para baixo, percebeu que algo caiu no chão, então descobriu que era o gambá. Ele não tinha errado o tiro, o gambá que atingido caiu da árvore sem que ele percebesse por causa da fumaça e entrou direto pelo cano da velha arma.
Estava garantido o almoço  o lombo ficou para outra ocasião e Tião continuou com a fama de bom atirador.



                                      ========================================
             


 Na propriedade do Seu Lulu C. ¹ havia um pedaço de terra que era muito pantanoso, porém bom para o plantio de arroz.
Seu Lulu, para semear as sementes, tinha que arar a terra e como não tinha o recurso de um trator, utilizava nesta tarefa três boas juntas de bois que possuía.
Perguntado pelos vizinhos se era muito “dificultoso” arar aquele trecho, respondia:
-          É difícil sim, só um camarada forte que nem eu consegue, pois toco os bois para o atoleiro, seguro firme no cabo do arado. Tem certos trechos que só fica aparecendo os chifres dos bois, mas eu não largo o cabo do arado.
                                                 

(1) Seu Lulu tinha uma propriedade vizinha à do nosso Pai, que contava essa passagem

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

terça-feira, 2 de novembro de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

UMA VISITA

Hoje é dia do meu aniversário, dia 25 de maio, e recebi uma visita no meu local de trabalho. Certa vez escrevi que um ditado árabe diz que as almas estão nas asas de uma borboleta. Acho que é verdade! Uma borboleta enorme e linda entrou em minha sala, sobrevoou por todos os espaços e em volta de mim várias vezes. Quem sabe é o meu pai que veio me visitar neste dia? Senti que sim, senti uma ternura e um carinho grande por aquele bichinho que parou quietinho pousado em um lugar da sala e lá ficou me fazendo companhia. Ficou comigo! Não saiu mais dali. Por que não pode ser?Os orientais têm uma sabedoria milenar, de algum lugar isso foi tirado, e com certeza tinham uma crença muito grande em relação a isto. É muito bom pensar que ele está aqui comigo, olhando por mim e me trazendo energias positivas. Senti uma emoção muito grande quando esta borboleta voejou em volta de mim tantas vezes como se quisesse me beijar, acariciar-me, abençoar-me. Senti-me abençoada, tranqüila e em paz. Lembrei-me dele imediatamente. Sempre sou inspirada por ele, pretendo conseguir ser um pouco como foi. Tranquilo, de bem com a vida e de um coração grande e bondoso como poucos seres humanos conseguem. Raiva, ódio, essas palavras e sentimentos não faziam parte de seu vocabulário. O fato é que senti necessidade de comunicar, de alguma forma, essa visita inesperada e bem - vinda e nada melhor do que a escrita para isso. Palavras falam por si sós. Sensações também. Depois veio a moça da limpeza e ela se escondeu. Não a vi. Depois a percebi voando novamente dentro da sala: para lá e para cá e depois se foi pela porta, assustada com uma pessoa estranha que não se sabia o que ia lhe fazer. Fiquei com pena de que ela tivesse ido, mas não triste, porque se foi livre e suavemente pela porta pela qual entrou e me deixou com uma sensação muito boa!

EGOÍSMO EMOCIONAL

Escrever sobre o que hoje? Sobre a incapacidade das pessoas de perceberem sentimentos e de não enxergarem necessidades alheias? Sobre a insensibilidade de lidarem com as pessoas que já viveram tanto e que carecem de atenção diária? Escrever sobre a crueldade do egoísmo? O que é o egoísmo? Como as pessoas o percebem? Não estou falando do egoísmo material (este vemos facilmente), mas do egoísmo sentimental. Sentimentos que não são compartilhados, que não são dados, que são apenas exclusivos de alguns. Porque é tão difícil perceber a necessidade do outro? Porque só percebemos as nossas necessidades e carências? Como não entender a dinâmica emocional conforme a idade? Cada época da vida, dinâmica emocional e afetiva diferente. Filhos magoam pais, netos magoam avós e nem percebem ou não querem perceber. Aí está o egoísmo! Quando passamos a viver pelos nossos sentimentos (alegrias ou tristezas) e não percebemos os dos outros. Quando não paramos mais para refletir do que aqueles que são meus, precisam. Sejam filhos ou pais, netos ou avós, em algum momento vamos magoá-los e não vamos perceber, vamos nos fazer de inocentes e de cumpridores de nossos deveres. Mas não. Não o somos. Sabemos o que precisamos fazer e não fazemos. Por quê? Acomodação, preguiça ou só negligência? Ou talvez só insensibilidade ou falta de percepção.Ah! Mais uma vez voltamos ao egoísmo. Falta de percepção. Este é o grande ponto do egoísmo sentimental. Não percebermos. Não percebermos nunca o que está estampado, o que está gritante. O que fazer para mudar? Para miopia tem recurso. Para egoísmo também. É só olhar mais, refletir mais e sentir mais. Não dói. Sentir não dói. Dói é não sentir e magoar. Acumular mágoas é terrivelmente doloroso e dolorido. Tão pouco pode ser feito para muito se sentir. Tão pouco pode ser feito para muito agradar. Tão pouco pode ser feito para muito ser feito!

sábado, 18 de julho de 2009

EU E MEU AVÔ

Eu e meu avô éramos uma dupla imbatível. Vivemos juntos travessuras que uma criança e um avô criativo podem aprontar. Passeávamos juntos todos os dias e foi com ele que aprendi a fazer contas, o que não achava nada chato, já que fazíamos isto através das placas das casas pela quais passávamos nos nossos passeios matinais. Com ele aprendi a gostar de desafios mentais e de cartas enigmáticas. Acho que devo a essa convivência o fato de gostar e –modéstia à parte- trabalhar bem com crianças e principalmente a necessidade que acho de se proteger pessoas idosas e o carinho que elas me transmitem. Era uma vida leve que não sei se atribuo ao fato de ser criança, à convivência com uma pessoa inteligente e de bem com a vida ou se aos dois juntos. A verdade é que ninguém poderia ter um avô melhor e mais rico em imaginação do que eu. Aprendi a andar a cavalo, a ver formas variadas nas nuvens, a ficar deitada observando o céu e aprendi que não precisa de muitas coisas para fazer uma criança feliz: um carretel para virar carrinho, um pedaço de bambu para se transformar numa espingardinha cuja munição eram caroços de milho ou feijão, umas histórias cheias de mistérios ou algumas vezes com fatos macabros, mas essas só valiam se contadas à noite. Meu avô era um homem crítico, que em tudo via graça e não deixava passar nada que lhe chamasse a atenção, principalmente se fosse um fato que pudesse deixar a pessoa sem graça. Era também muito inteligente. Estava sempre inventando alguma coisa ou em idéias ou objetos. No sítio que tínhamos explorávamos todos os espaços a pé ou a cavalo. Fazíamos sandálias de palha de bananeira, imaginávamos tantas coisas e entre elas uma onça morando e nos espreitando no meio de meia dúzia de árvores que tinha em um morrinho chegando perto da casa do sítio. Só sei que eu por ali passava morrendo de medo de a onça pular em cima de mim e, enquanto andava, não tirava os olhos de lá esperando pela pintada e pronta para correr. Ele adorava ler livros que falassem de curiosidades e passou isso para mim também. Quem descobrisse alguma curiosidade nova contava para o outro. Foi assim que fiquei sabendo que as lagartixas chegaram ao Brasil através do navios negreiros. E assim íamos levando a vida todos os dias. Uma coisa o aborrecia muito quando fui crescendo. Não gostava de me ver conversando com nenhum menino. Não falava nada, mas ficava sem falar comigo durante alguns dias. Foi assim até o dia em que saí de casa para estudar. Ele não me quis ver sair, então saiu antes e foi para a casa de meu tio, só voltando depois que eu já havia ido. Nunca falou nada, mas acho que ele não concordou com essa minha saída. Existem pessoas indescritíveis e assim era meu avô. Jamais farei justiça à pessoa que ele era através da escrita. Tantas coisas boas vivemos que não cabem no papel, ficam só na lembrança e na saudade de uma vida tão boa e tão cheia de carinho e riquezas de idéias.
Vovô e eu
Vovô
Minha avó Juracy e meu avô Ibrahim, pais de minha mãe
Uma das coisa que aprendi com meu avô
Eu, meu irmão, meu avô e meu pai no Cafundó em Itaperuna

sexta-feira, 17 de julho de 2009

TABULEIRO DE AREIA


Vejo a vida de um modo muito particular. Ela é vista de modo concreto, sempre gerando uma imagem para visualizá-la. É assim como um tabuleiro de areia onde existem bonequinhos de papel (como aqueles que as meninas vestem e despem com suas roupas de papel) encaixados. Eles são tirados de um lado para outro, trocados de lugar e é assim com as pessoas quando se mudam, quando se locomovem, quando vão e vem do trabalho ou do passeio. É assim também quando morremos. Os bonequinhos são retirados e os espaços ficam vazios, mas sempre lembrando que ali havia uma figura, mesmo que aquele espaço seja preenchido. Existem espaços que não são nunca preenchidos novamente, ou por falta de oportunidade ou por falta de bonecos que se encaixem ali. Existem bonecos grandes e pequenos, mais coloridos ou menos coloridos, mais firmes ou menos firmes. Quem os tira ou muda de lugar não sei, mas vejo uma mão como se fosse a mão de uma criança brincando de bonecos. Tira ou põe como achar melhor, como ficar mais bonito ou como para aplacar um capricho. A areia é aquela como as das construções: areia lavada (acho que é assim que se chama) e um pouco grossa. Não é fatalismo achar que não temos escolha, é só uma representação visual, lúdica ou quem sabe infantil, porém é assim que visualizo sempre que alguém se muda, quando estou indo trabalhar ou quando alguém morre. A imagem fica mais nítida quando os olhos se fecham. Aí, sim, torna-se quase palpável. Entretanto é só uma brincadeira de quem sempre visualiza fatos e notícias de modo particular. Talvez seja mais fácil assim aceitarmos e entendermos tantas coisas que ocorrem no nosso dia-a-dia, talvez assim seja mais fácil ser feliz.

A TRISTEZA

A tristeza (ou seria melancolia?) é um sentimento ímpar e inexplicável através das palavras. É uma coisa doída, profunda e acho que estranha. Que caminho é esse percorrido pela tristeza que nos deixa tão arrasados e tão sem defesas? Que sentimento é esse que nos deixa com uma dor profunda? Não se sabe onde a dor dói, mas parece que é no peito, parecendo deixá-lo expandido e o coração grande, sem ar, sem perspectiva, sem vida. Que dor profunda é essa que vem com rapidez e se vai tão devagar? Mais uma vez pergunto? Que caminho percorre, de onde vem, para onde vai? Será que fica escondida para reaparecer na primeira oportunidade? Por que existem pessoas que parecem que nunca ficam tristes? A origem é orgânica,mas é também da vida que elas levam? Como encaram as adversidades, procurando ver o lado positivo?Porém, quando é difícil perceber os pontos positivos? Sim, porque parece que para algumas pessoas tudo vai desmoronar toda vez que estão em calmaria e aí lá vem ela, maltratando, machucando, fazendo-se valer. Às vezes ela se confunde com insegurança,com medo ou com a dependência das situações às quais está relacionada. Mas é sempre doída e funda. Às vezes parece bobagem, às vezes parece tão sério! Às vezes vai-se rápido, às vezes demora em ir-se. Porém é sempre ela, encorpada ou sem sustância, grande ou pequena. Entretanto o melhor momento é quando ela se cansa de nós e se vai.Ah! Que alívio, que leveza e que grande amor sentimos por tudo e por todos! Aí, sim! Valeu a pena! Ela se foi! Tomara que não volte mais, pensamos então! Tomara que tome outro rumo e que vá para outras paragens. Agora ela parece apenas um vulto, uma figura etérea que se esvoaça pelo tempo e pelo espaço. Parece até mesmo que não passou de um sonho, todavia sabemos também que precisamos dela às vezes para continuarmos vivendo, lutando, chorando para que depois tenhamos o grande prazer do sorriso, do alívio e do conforto. Sabemos que um dia voltará de alguma forma, mas temos certeza de que também, de alguma forma ou por alguém, ela se irá e mais uma vez voltaremos para os nossos risos e nossos amores.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

AS ALMAS NAS ASAS DAS BORBOLETAS

Dizem que a alma de quem morre está nas asas das borboletas, que voam livremente e são tão coloridas, leves e lindas. Mas porque será que está cada vez mais raro ver uma borboleta?Onde estarão as almas? E as borboletas? Tão prazeroso ver uma borboleta voando fazendo zigue-zagues pelo espaço, parece mesmo uma alma flutuando na plenitude de sua liberdade. Liberdade de tempo, espaço e massa, liberdade de compromissos, de rotinas, de decepções e de dificuldades. Leve como uma partícula de poeira ou uma pluma ao vento. Onde estarão as borboletas ? E as almas, então? Terão escolhido outro meio de flanar livremente ou simplesmente não estão mais em lugar algum? A idéia de que possam evoluir livres e leves nos é tão bem-vinda que é difícil aceitar que elas não estejam mais por aqui.Tanto borboletas como almas. Onde será o lugar em que borboletas e almas estarão? Onde podemos vê-las tão plenamente? Como serão as borboletas que levam as almas?Serão todas ou só algumas privilegiadas? Se assim for, então está explicado porque elas estão tão raras, mas se assim não for, se as almas não escolhem determinadas borboletas,então,temos que descobrir onde estão as borboletas. E as almas? O que escolheram para flanar? Não. Prefiro pensar que elas estão só esperando as lindas e leves borboletas e que elas, as borboletas, estão sim, por aí, porém nossos olhos é que se desacostumaram de vê-las e aí elas parecem não existir. Mas não, elas estão aí sim, com certeza estão. Elas existem assim, como tenho certeza, as almas também existem. Temos que acostumar novamente os nossos olhos a verem a beleza, a leveza e a plenitude. Aí sim estaremos aptos a ver de novo as borboletas e- quem sabe?- as almas também.